domingo, 8 de novembro de 2015

Suave

Todos carregam dentro de si um amor suave, cheio de vontade de se dar, de receber e compartilhar.
Todos nascem, na verdade, com esse instinto inerente dentro do corpo, que veio do sêmen que vai para o seio.
O que não se sabe é como encontrá-lo dentro de si, como disparar o gatilho que o aciona e como o pertencer eternamente.
Eu tenho um palpite. Este amor vem de dentro da gente; não depende do outro; ele é livre leve e solto; não tem razão de estar nem de ser e nem de pertencer.
E quando, enfim, esse amor transborda suave pelo corpo, ele atingi o outro e torna-se infindável. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Despertar do coma

Após acordar de um coma de muitos anos, vejo diante de mim uma vida que nunca parou, um tempo que não me esperou, momentos que passaram sem meu consentimento sem minha real presença, talvez oportunidades tenham sido perdidas e nunca mais voltarão. Mas o fato é: existe uma vida diante de mim que enfim posso vivê-la.
É assim que me sinto depois de anos dentro de uma depressão sem fim, e ainda há quem diga que é apenas uma desculpa. Aliás, sem fim não, porque aqui ponho um fim reconhecendo que isso não tem mais domínio sobre mim, que minhas tristezas são reais e que felizmente eu sou superior a todas elas.

E aqui estou enfim, eu naquela encruzilhada, e eu lembro muito bem quando foi a primeira vez que eu me encontrei em frente à bifurcação da vida, e ali eu me senti indecisa, frágil, sozinha, imersa em um medo infinito incapaz de vencê-lo. E por muitos anos eu fui correndo de um lado pro outro, querendo viver os dois caminhos, mas com o passar do tempo eles iam se distanciando cada vez mais, entre eles se formavam muros de espinhos e eu me cortava ao atravessa-los, e eu me machucava e estava dividida e no fim não vivia nenhum dos dois. Então eu parei de correr, eu parei de ir de um caminho pro outro e voltei até a linha de largada e fiquei lá por um bom tempo, avaliando e analisando em qual das estradas eu seguiria. Olhando a bifurcação dos caminhos da minha vida, amedrontada: eu era responsável pelo meu destino futuro. “Quão amargos são os caminhos, mas quão doces são os frutos que colherei no fim deles?”, essa questão ecoava dentro de mim. Enfim resolvi escolher, e ai sim acordei de um coma induzido por mim. Muitos não entenderão que esse não foi um tempo perdido, mas um tempo necessário. E a partir daqui sigo um caminho. Nele existem incertezas, percalços, superações, quedas...mas é certo que no fim haverá vitória.

domingo, 17 de maio de 2015

O saber vázio


Tenho chegado a um consenso interno de que a teoria se difere muito da prática. Digo isso em todos os âmbitos da vida, sendo profissional, emocional, familiar, comportamental....enfim. 
Saber não significa que sua prática será alterada. Para por em prática um novo conhecimento é preciso a criação de um novo hábito, e isso leva tempo e muito gasto de energia.
Por isso é tão difícil mudar, e por isso algumas pessoas entram no comodismo. São cheias de novas ideias, mas vazias de novas atitudes.

Divagando na aula.

Hoje na minha aula de neuroanatomia estávamos estudando sobre a divisão do sistema nervoso periférico, e claro falamos sobre os neurônios que compõe esse sistema, e seus neurotransmissores. Ok, e o que tem de tão interessante nisso? Bem, acontece que para que seu corpo tenha um estimulo qualquer para promover uma ação, os neurotransmissores são liberados e são recebidos por receptores do “outro lado do canal” dos neurônios, são levados para as glândulas, músculos esqueléticos e lisos, enfim todos os órgãos efetores para que aja um comando promovendo assim determinada ação. Acontece que não são os neurotransmissores que emitem a informação do que deve ser feito, e sim os receptores. Não importa o que seja enviado, o que vai determinar a ação são os receptores que recebem os neurotransmissores.
Fui um pouco longe em minhas divagações, confesso. Mas me fez refletir sobre o que fazemos quando recebemos um estimulo qualquer, o que fazemos em relação aquilo que nos é dado? Seja uma oportunidade de trabalho, seja uma grosseria desnecessária, seja a oportunidade de cursarmos uma faculdade, enfim tanto coisas que julgamos positivas quanto negativas, o que fazemos com essas coisas? O que fazemos com os neurotransmissores que as situações da vida nos enviam? Então entendi que nós somos os receptores, e somos nós quem transformamos essas informações dando um sentido de ação pra elas. Isso nos tira da comodidade de sermos sempre vitimas das situações que são impostas a nós. Isso nos torna ativos no nosso poder de decisão, de dar uma ação positiva a qualquer estimulo enviado pelo nosso neurotransmissor, afinal eles são os estimulos que nós precisamos para nos movermos pra uma ação, sem eles ficaríamos inertes.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Encontros

Na andança percebi que cada um trás consigo grande bagagem.  Não se pode julgá-la como sendo boa ou má, depende do destino aonde se quer chegar, depende dos recursos que lhe foram fornecidos e quão rudimentar era a sua morada. Portanto, não me importa se é bela ou feia, pesada ou leve, a bagagem é fruto do caminhar, mas são as experiências que frutificam o caminhante. A bagagem mostra de onde viemos, mas o caminhante nos mostra aonde quer chegar.