Os filmes são interessantes, trazem uma leve insatisfação dos nossos prazeres diários com o seu irrealismo perfeito.
Por exemplo, naquela cena ideal em que o personagem está diante de uma esplêndida sobremesa, e com um pequeno garfo belisca um pedaço do doce e coloca-o saborosamente dentro da boca, mastigando aquele apetitoso e minusculo pedaço como se fizesse encher sua boca toda. Não bastando, ainda tem uma conversa instigante com um segundo personagem, sem perder a saborosidade de sua garfadinha, sem cuspi-lo em seu ouvinte ou se importar com que ele veja o pedaço em sua boca enquanto fala. Dando continuidade ao seu ato irreverente, aquele pequeníssimo pedaço dura por quase toda a conversa, e por fim o excelentíssimo doce é deixado para trás como se já tivesse satisfeito o seu apreciador. Uma cena ultrajante diante da vida real.