Desde pequena eu sempre tive medo da imensidão. Quando eu
tomava banho de mar era tomada por um pavor inexplicável; quando viajava e via
as montanhas enormes pela janela do carro sentia vertigem pela sua sinuosidade
e grandeza. A sensação que eu tinha era que tudo ali ia me engolir, como se eu
fosse tão, mais tão pequena que não fazia sentido existir. Era uma sensação tão
gloriosa que me dava medo, medo de ser insignificante demais diante de tanta
grandeza.
O meu problema sempre foi o medo. Medo da imensidão, medo do
escuro, medo de palhaço, medo de me expressar, medo de “amar errado”. MEDO.
FRAQUEZA. Com o passar do tempo fui me livrando de alguns medos. A maturidade
nos permite entender, por exemplo, que no escuro temos a mesma coisa de quando
acendemos as luzes.
Quanto à imensidão ainda sinto um frio na barriga, mas
descobri que também existe uma imensidão dentro de mim. E essa imensidão
precisa ser explorada tanto interna como externamente. Ainda tenho receio de me
perder na imensidão, mas sei que posso me afundar sem medo de ser pequena
demais e insignificante, porque descobri que eu faço parte dessa imensidão, eu
a completo.