Após acordar de um coma de muitos anos, vejo diante de mim
uma vida que nunca parou, um tempo que não me esperou, momentos que passaram
sem meu consentimento sem minha real presença, talvez oportunidades tenham sido
perdidas e nunca mais voltarão. Mas o fato é: existe uma vida diante de mim que
enfim posso vivê-la.
É assim que me sinto depois de anos dentro de uma depressão
sem fim, e ainda há quem diga que é apenas uma desculpa. Aliás, sem fim não,
porque aqui ponho um fim reconhecendo que isso não tem mais domínio sobre mim,
que minhas tristezas são reais e que felizmente eu sou superior a todas elas.
E aqui estou enfim, eu naquela encruzilhada, e eu lembro
muito bem quando foi a primeira vez que eu me encontrei em frente à bifurcação
da vida, e ali eu me senti indecisa, frágil, sozinha, imersa em um medo
infinito incapaz de vencê-lo. E por muitos anos eu fui correndo de um lado pro
outro, querendo viver os dois caminhos, mas com o passar do tempo eles iam se
distanciando cada vez mais, entre eles se formavam muros de espinhos e eu me
cortava ao atravessa-los, e eu me machucava e estava dividida e no fim não
vivia nenhum dos dois. Então eu parei de correr, eu parei de ir de um caminho
pro outro e voltei até a linha de largada e fiquei lá por um bom tempo,
avaliando e analisando em qual das estradas eu seguiria. Olhando a bifurcação
dos caminhos da minha vida, amedrontada: eu era responsável pelo meu destino
futuro. “Quão amargos são os caminhos, mas quão doces são os frutos que
colherei no fim deles?”, essa questão ecoava dentro de mim. Enfim resolvi
escolher, e ai sim acordei de um coma induzido por mim. Muitos não entenderão
que esse não foi um tempo perdido, mas um tempo necessário. E a partir daqui
sigo um caminho. Nele existem incertezas, percalços, superações, quedas...mas é
certo que no fim haverá vitória.
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