segunda-feira, 8 de junho de 2015

Despertar do coma

Após acordar de um coma de muitos anos, vejo diante de mim uma vida que nunca parou, um tempo que não me esperou, momentos que passaram sem meu consentimento sem minha real presença, talvez oportunidades tenham sido perdidas e nunca mais voltarão. Mas o fato é: existe uma vida diante de mim que enfim posso vivê-la.
É assim que me sinto depois de anos dentro de uma depressão sem fim, e ainda há quem diga que é apenas uma desculpa. Aliás, sem fim não, porque aqui ponho um fim reconhecendo que isso não tem mais domínio sobre mim, que minhas tristezas são reais e que felizmente eu sou superior a todas elas.

E aqui estou enfim, eu naquela encruzilhada, e eu lembro muito bem quando foi a primeira vez que eu me encontrei em frente à bifurcação da vida, e ali eu me senti indecisa, frágil, sozinha, imersa em um medo infinito incapaz de vencê-lo. E por muitos anos eu fui correndo de um lado pro outro, querendo viver os dois caminhos, mas com o passar do tempo eles iam se distanciando cada vez mais, entre eles se formavam muros de espinhos e eu me cortava ao atravessa-los, e eu me machucava e estava dividida e no fim não vivia nenhum dos dois. Então eu parei de correr, eu parei de ir de um caminho pro outro e voltei até a linha de largada e fiquei lá por um bom tempo, avaliando e analisando em qual das estradas eu seguiria. Olhando a bifurcação dos caminhos da minha vida, amedrontada: eu era responsável pelo meu destino futuro. “Quão amargos são os caminhos, mas quão doces são os frutos que colherei no fim deles?”, essa questão ecoava dentro de mim. Enfim resolvi escolher, e ai sim acordei de um coma induzido por mim. Muitos não entenderão que esse não foi um tempo perdido, mas um tempo necessário. E a partir daqui sigo um caminho. Nele existem incertezas, percalços, superações, quedas...mas é certo que no fim haverá vitória.

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