quinta-feira, 18 de abril de 2019

Lentes do amor


 Tenho compreendido que tudo que nos afasta do amor nos mata um pouco mais a cada dia. E vejo hoje três coisas principais que nos afastam do amor, são elas o medo, a vergonha e a culpa. Penso que todo esse arsenal nos afasta do amor como uma armadura protege o guerreiro em uma batalha. Nessa batalha vejo que o mais temido golpe seja ser vulnerável diante dos outros, então cada pessoa em nossa vida se torna um inimigo ferrenho.
Esse arsenal de guerra nasce no âmbito do relacionamento familiar, posso dizer que aprendemos na infância a nos munirmos contra o outro em uma tentativa de autopreservação.
O amor nos despe dessas coisas, estar nu no mundo perece aterrorizante, mas não foi assim que viemos parar nele?! Completamente nus, sem defesas, vulneráveis...e mesmo assim não sobrevivemos?! Bem, eu tenho aprendido muito com o amor, tenho aprendido a deixar de lado minhas armas de defesa e agir mesmo sentindo medo, vergonha ou culpa. Me libertar dessa armadura tem me deixado leve pra que outros se aproximem. E veja bem, minha nudes faz outros se despirem também!!!
Viver em amor me ensinou que estar vulnerável me aproxima dos outros, e mais do que isso me faz olhar o outro com mais compaixão e verdade. Enxergo hoje que todos somos tão iguais que não há porque se manter tão armado assim. Ver em mim fraquezas por detrás de toda aquela parafernalha de equipamentos defensivos, me fez enxergar o outro nu mesmo armado contra mim. Essa é a maior das belezas do amor, ele muda o nosso olhar sobre as coisas, nos dá uma nova lente para enxergar o outro. Então vendo que a ação do outro parte apenas de um desejo de autodefesa posso perdoá-lo, não sinto-me ofendido e nem rejeitado por ele, ao contrário sinto o desejo de acolhê-lho e mostrar-lhe “Ei estou nu, não precisa se armar contra mim!”, sim isso é vulnerabilidade extrema e isso também não é atestado certo de que o outro se sentirá seguro para se desarmar, mas aí está a beleza do amor, ela parte de si própria e não como uma resposta a um comportamento determinado. O amor age por si mesmo, quem enxergar através das lentes do amor só consegue mesmo amar.

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