Me pego olhando o passado e revisando-o meticulosamente para que ele não se repita no meu presente. O medo de que tudo retorne e tome conta e eu perca o controle, a situação de humilhação com a qual eu sempre me deparei são sensações que eu não quero reviver nem mesmo artificialmente nas janelas da minha lembrança. Para que isso não ocorra na realidade é necessário um treinamento continuo. Ocorre que, quando paro e me vejo na minha atual realidade sinto-me massacrada por mim mesma e pelo meu total afastamento da sensibilidade emocional. Ela foi trocada pelo medo. Medo do descaso, medo do abuso, medo da violência, medo da dissimulação, medo da incerteza que é o outro. O medo me protege e me sufoca ao mesmo tempo. O medo me distância do perigo e de mim. O medo me restringe do erro e também dos sentimentos de afeto, da confiança que não é gerada. O medo é uma faca de dois gumes que corta tanto os que se aproximam como a mim, me fatiando em tantos pedaços quanto puder. E então eu me pergunto se o medo me ampara ou me destrói, se me protege ou me faz mal. Meu maior medo é também meu maior anseio, que alguém desperte tal confiança em mim que me faça capaz de amar, ou então, que seja capaz de me destruir.
To apaixonado
ResponderExcluirProfundo! Confrontador. Bastante do que sinto em muitos momentos de reflexão...
ResponderExcluirProfundo! Confrontador. Bastante do que sinto em muitos momentos de reflexão...
ResponderExcluir