terça-feira, 10 de setembro de 2013

Medo

Me pego olhando o passado e revisando-o meticulosamente para que ele não se repita no meu presente. O medo de que tudo retorne e tome conta e eu perca o controle, a situação de humilhação com a qual eu sempre me deparei são sensações que eu não quero reviver nem mesmo artificialmente nas janelas da minha lembrança. Para que isso não ocorra na realidade é necessário um treinamento continuo. Ocorre que, quando paro e me vejo na minha atual realidade sinto-me massacrada por mim mesma e pelo meu total afastamento da sensibilidade emocional. Ela foi trocada pelo medo. Medo do descaso, medo do abuso, medo da violência, medo da dissimulação, medo da incerteza que é o outro. O medo me protege e me sufoca ao mesmo tempo. O medo me distância do perigo e de mim. O medo me restringe do erro e também dos sentimentos de afeto, da confiança que não é gerada. O medo é uma faca de dois gumes que corta tanto os que se aproximam como a mim, me fatiando em tantos pedaços quanto puder. E então eu me pergunto se o medo me ampara ou me destrói, se me protege ou me faz mal. Meu maior medo é também meu maior anseio, que alguém desperte tal confiança em mim que me faça capaz de amar, ou então, que seja capaz de me destruir.

3 comentários:

  1. Profundo! Confrontador. Bastante do que sinto em muitos momentos de reflexão...

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  2. Profundo! Confrontador. Bastante do que sinto em muitos momentos de reflexão...

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